quarta-feira, 20 de julho de 2016
COLHEITA DO MAL
Olá, pessoal ...
Esse post traz para vocês mais uma "história" que dessa vez não terá um final feliz.
O título irá fazer juz ao que vou relatar aqui. Numa fazenda no século XIX, bem distante da cidade grande, havia um barão muito severo e exigia que tudo funcionasse na perfeita ordem. Ele maltratava a todos não poupava nem sua própria família e quem o desobedecesse, era punido no pelourinho.
Até que um dia um linda moça resolveu dar uma volta dentro da fazenda rumo a cachoeira que era o seu local preferido além do imenso jardim que circundava o casarão principal.
Seu pai como de costume, não se importava porque ela não ia sozinha e sim acompanhada de uma mucama de sua confiança e mais dois escravos para lhe fazer segurança. Ela era muito querida pelos escravos tanto do casarão como os da senzala que ela sempre ia visitar a todos e ajudar no que era preciso.
A sinhazinha como ela era chamada por todos, tinha carisma especial e todos acreditavam que ela um anjo que veio do céu para abençoar a fazenda.
Só havia um problema: a cachoeira que passava na fazenda do barão fazia divisa com outra fazenda. E ambos os barões tinham ideias diferentes: o pai da linda moça era escravocrata e o barão vizinho era abolicionista.
Enquanto a linda moça se banhava com a ajuda da mucama nas águas da cachoeira os dois escravos a deixavam sozinhas e não por muito tempo para que eles fossem na divisa das terras para visitar seus amigos que foram separados pelo barão severo para um "dedo de prosa". E sempre quando retornavam as mulheres já estavam prontas para voltarem para o casarão. E a mucama sempre aproveitava para lavar as roupas dos patrões nas águas enquanto a moça se divertia e conversava com a mucama.
Tudo estava indo muito bem, quando ela se apaixonou por um dos escravos que a acompanhavam diariamente. Os dois partilhavam do mesmo pensamento e ideal: eles tinham pensamento abolicionista, contrário ao do barão. Ela estava prometida para um rapaz da cidade grande, filho de um médico conhecido da região e todos faziam gosto desse casamento.
A moça e o escravo sabiam disso, e mesmo assim, prosseguiram no romance secreto sem pensar no perigo que essa história terminaria. Até que um dia essa linda moça adoeceu repentinamente, sem saber o que ela tinha feito o tempo todo, ninguém desconfiou de nada. Porém a escrava mais velha da fazenda resolveu olhar a moça e não demorou muito para ela descobrir o segredo que ela guardava.
Ela ficou desesperada ao descobrir que a sinhazinha estava grávida do escravo que sempre acompanhava. A velha escrava entristeceu imediatamente ao saber qual seria o final de tudo aquilo. Era uma verdadeira tragédia anunciada.
A sinhazinha lhe disse que se caso ela não ficasse com o escravo em vida, ficaria depois de morta. E que com o filho do médico ela não ficaria jamais porque o coração dela pertencia ao escravo que tanto amara.
Dias e dias se passaram e ela não saiu mais do seu quarto, não comia mais a comida oferecida pelas mucamas, se recusava ir tomar banho, enfim, mudou radicalmente da água para o vinho. De uma moça dócil, vaidosa e bem vestida, se transformou numa mulher triste, agitada e em maltrapilhos.
Barão ao saber de tudo o que estava acontecendo pelo médico da família, ele se revoltou contra a moça e contra o escravo. Após a discussão com o pai, a moça tratou de se banhar, se vestir com a melhor camisola e ainda pegou escondido uma arma de seu pai munida com pólvora.
Saiu do casarão e foi direto na senzala onde supostamente estaria o barão com os capatazes da fazenda dando o castigo severo em seu amado. Em seu pensamento somente uma frase rondava: dessa noite, não passa.
Ao chegar lá, a última cena que ela poderia ter visto na vida aconteceu. Seu amado amarrado do pelourinho sendo chicoteado. Ela se aproximou lentamente com a arma apontada em seu peito e ela gritou para que todos pudessem ouvir: "Já que eu não posso ficar com ele, não ficarei com mais ninguém. A partir de hoje todos os frutos da fazenda não terão mais valor algum. Ficará anos e anos secos, podres e inférteis após a minha morte".
Ao ver seu amado morrer de tanto apanhar no pelourinho ela olhou para ele e deu um tiro no seu próprio peito, elucidando assim uma verdadeira tragédia familiar e o início da maldição que a princípio ninguém acreditou nela.
Após o sepultamento da sinhazinha e tempos depois quando a colheita se aproximou, para a surpresa de todos, os frutos colhidos da safra, realmente estavam secos, fracos, sem sabor nenhum. As flores preferidas da sinhazinha ficaram secas, as rosa com mais espinhos que o normal. E sempre que era noite de luar, ela aparecia ao lado de seu amado no meio da plantação caminhando e desfrutando da colheita do mal que o barão causou aos dois.
Encerra assim, o conto desse blog.
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